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terça-feira, 07 de setembro de 2010
Notícias

AS CAMPANHAS MILITARES DA CORPORAÇÃO

AS CAMPANHAS MILITARES DA CORPORAÇÃO

Cel PM RR João Batista de Lima

                      Ao longo da segunda metade do século XIX e durante as três primeiras décadas do século XX, a Polícia Militar da Paraíba, com a denominação de Força Pública, cumpriu missões específicas na manutenção da ordem pública, e em apoio às tropas Imperiais e posteriormente republicanas, na garantias das instituições e da soberania nacional, sempre ao lado da legalidade, com deslocamentos de tropas, combates, mortes, vitórias e derrotas. Pela especificidade dessas missões, as denominamos de Campanhas Militares.
                      Dessa forma, abordaremos, de forma sintética, nas próximas colunas, as seguintes Campanhas Militares, ocorridas no século XIX: A Revolução Praieira, movimento revolucionário ocorrido em Recife em 1849 e que teve repercussão na Paraíba com a invasão e ocupação da cidade de Areias; A pacificação da Revolta do Ronco da Abelha, revolta popular, registrada no interior da Província, em 1852, quando o povo se rebelou contra a adoção da lei que criou a obrigação do registro civil e do atestado de óbito; A Guerra do Paraguai, de 1865 a 1870, quando todo efetivo da Polícia Militar integrou as tropas Imperiais que combateram as tropas paraguaias que tinham invadido o sul de Brasil; A pacificação da Revolta do Quebra-Quilo, outro movimento popular acontecido no interior da Província, em 1874, quando a população se rebelou contra a adoção do sistema métrico decimal, e por questões religiosas;
                      A seguir trataremos das seguintes campanhas desenvolvidas no século XX: A Revolta de Monteiro, movimento armado que aconteceu em 1912, na região de Monteiro, Patos e Teixeira, no qual se pretendia implantar um clima de descontrole da ordem pública que justificasse a intervenção federal no Estado, e o conseqüente afastamento do Presidente do Estado de João Machado: As lutas contra a Coluna Prestes, lendário grupo revolucionário que, em 1926, passou pelo interior da Paraíba; A campanha de Princesa, em 1930, na qual os grupos revoltosos tinham os mesmos objetivos dos grupos de Monteiro, de 1912, sendo que dessa feita o alvo era a deposição do Presidente João Pessoa; A Campanha do Recife, em 1931, quando um efetivo da Polícia Militar participou, em apoio à                   Tropas Federais, da retomada de um Quartel do Exército que havia sido ocupado por militares revolucionários; A Campanha de São Paulo, em 1932, quando dois Batalhões da Polícia Militar participaram das lutas contra os revolucionários paulista, na chamada revolução constitucionalista; A Campanha de Natal, quando um Batalhão da PM participou da repressão aos integrantes da intentona comunista, restaurando a ordem em diversas cidades daquele Estado;
                      Para melhor nos situarmos nos palcos desses acontecimentos, registre-se que durante uma parte desse período, os Presidentes das Províncias, que eram nomeados pelo Império, detinham o poder de emprego das Tropas de Linha (Exército) e convocação da Guarda Nacional, que eram Organizações não permanentes e que só eram remuneradas, pelo Império, quando convocadas. A importância do papel da Força Pública nesses eventos pode ser melhor compreendida se tivermos em mente as dificuldades próprias da época. As longas distâncias eram vencidas à pé, por precários caminhos, por onde, às vezes, se percorriam mais de 100 Km.Faltavam meios de comunicação, mantimentos e assistência sanitária. O armamento era precário. O emprego conjunto de forças de origens diferentes, como Tropa de Linha, Guarda Nacional e Força Pública, fato comum nessas Campanhas, por certo deve ter acarretado falta de Unidade de Comando. A Guarda Nacional, intensamente empregada e que prestou relevantes serviços, era indisciplinada, pela própria forma do seu recrutamento, resultando muitas deserções, em momentos de decisivos combates, comprometendo as outras forças empregadas. A escassez de efetivo, o baixo nível de instrução, adestramento e disciplina da própria Força Pública, por certo, também foram óbices aos seus objetivos.
                       Em fim, a Força Pública retratava a realidade da época, na nossa Província, razão porque a avaliação de seus feitos não pode ser dissociada dessas circunstâncias. Como já afirmamos, todos esses fatos serão relatados nas nossas próximas colunas, para as quais solicitamos sua atenção.
 

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