A Campanha da Revolução Praieira foi o batismo de fogo da Força Pública da Paraíba, que no seu primeiro combate sofreu uma derrota, com a perda de muitas vidas, mas que, depois cumpriu seu papel, ajudando a derrotar os revoltosos que tinham invadido a Paraíba. Nesta coluna faremos uma síntese desses fatos, resgatando a memória desses acontecimentos.
A disputa pelo poder entre o Partido Liberal e o Conservador em Pernambuco, sempre foi muito conturbada. De 1844 até 1848, esteve no poder o Partido Liberal.Em outubro de 1848, assumiu a Presidência daquela Província, o Partido Conservador, na pessoa de Herculano Ferreira Pena. Teve início, então, uma série de hostilidades por parte do Governo, contra seus adversários políticos. Dessa forma, começou a se criar um clima de revolta que resultaria no movimento sedicioso que ficou conhecido por Revolução Praieira.
Entretanto, muito antes da deflagração violenta do movimento revolucionário em Recife, seus efeitos já tinham atingido a paz na Paraíba. Em maio de 1848, o Presidente da Paraíba, Dr. João Antônio de Vasconcelos, foi informado da possibilidade dos Liberais de Pernambu¬co invadirem a Cidade de Goiana e a Vila de Pedras de Fogo. Em conseqüência, um contingente da Força Pública da Paraíba, denominação da Polícia Militar na época, foi deslocado para Pedras de Fogo e para as proximidades de Goiana. Seguiram para essa missão Tropas de Linha, parte da Guarda Nacional e o efetivo da Força Pública disponível na Capital, ficando essa Cidade guarnecida por um contingente da Guarda Nacional. O contingente da Força Pública que se dirigiu para Goiana foi comandado pelo Capitão Genuíno Antônio Atahyde, e era composto de 40 Praças. Os ataques à Goiana e Pedras de Fogo, não se deram na época prevista, mas o clima de tensão continuou. O Capitão Genuíno voltou a Capital para organizar novos efetivos, que contavam até com índios, recrutados na Jacoca, atual Cidade do Conde.
No dia 13 de dezembro de 1848, Goiana foi atacada pelos Revolucionários. A cidade achava-se defendida por um efetivo de 60 homens da Força Pública da Paraíba, sob o Comando do Capitão Genuíno e mais um grupo da Guarda Nacional, que desertou logo no inicio do combate. Dado o elevado número de revoltosos, a Força Pública foi obrigada a ceder terreno, depois de uma luta que resultou em 7 mortes e muitos feridos. Depois da tomada de Goiana, os Revolucionários invadiram Pedras de Fogo, no dia 15 daquele mês, de onde só saíram depois de derrotados pelas Tropas de Linha, vindas do Recife, 6 dias depois.
Esses fatos deram ânimo aos revolucionários, que, no dia 2 de fevereiro de 1849, contando aproximadamente com 2 mil homens, invadiram o Recife, encontrando severa defesa da Tropa de Linha. Nessa luta morreram mais de 200 revolucionários e o seu principal Chefe, o Deputado Nunes Machado.
Rechaçados no Recife, os revolucionários fugiram para o interior, se reunindo em Igarasú, onde se dividiram em duas colunas de 500 homens cada, seguindo uma em direção a Garanhuns e outra para Goiana. O objetivo dessas colunas era fazer a propaganda revolucionária e adquirir adeptos para, reorganizados, dar continuidade à luta. Em Goiana, os rebeldes aprisionaram a guarnição local e se apropriaram de armas, munições e mantimentos.
Fugindo da Tropa de Linha, a Coluna invadiu Pedras de Fogo, no dia 15 de fevereiro. De Pedras de Fogo, os Revolucionários seguiram na direção de Itabaiana, Alagoa Grande e Areia, aonde chegaram no dia 18 de fevereiro e tiveram apoio de uma parte da população.
Diante desses fatos, o Presidente da Paraíba voltou a reforçar as medidas de defesa da Capital e destacou uma Patrulha de 30 Homens da Força Pública, para fazer contato com os Revolucionários e intimá-los a depor as armas ou se retirarem da Província.
A Guarda Nacional sediada em Guarabira também integrou a Força Pública. Esse efetivo se juntou à Tropa de Linha de Pernambuco que vinha em perseguição aos rebeldes.
No dia 20 de fevereiro de 1849, a tropa legalista invadiu a Comarca de Areia, travando combates em diversos pontos do percurso, como na Serra da Onça, Serra do Tatu e na Rua da Palha, todos com resultados favoráveis. Os ataques duraram de 7 horas da manhã às cinco da tarde resultando em 11 Revolucionários mortos e 64 feridos e presos. Desalojados de Areia, os Praieiros fugiram com destino à Campina Grande e depois rumaram na direção da Província de Pernambuco, já desorganizados e sem oferecer perigo a Manutenção da Ordem.
Cel PM RR João Batista de Lima
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